FORUMzinho Social Mundial: a construção do impossível ou um outro espaço educativo é possível

Pensar no FORUMzinho Social Mundial é pensar necessariamente na formação de uma REDE de AFETOS. Sim, porque o FORUMzinho foi todo construído por uma rede de educadores, oficineiros, nutricionistas, arquitetos, publicitários, médicos, ambientalistas, artistas, terapeuta ocupacional, tradutores, todos voluntários. Pessoas que se dispuseram a doar seu tempo e seu trabalho especializado em prol de um sonho - incluir as crianças na construção de um outro mundo possível. Podemos pensar, então, que mais que profissionais qualificados e com todo uma trajetória de mobilização social e investimento na educação popular, o FORUMzinho foi feito e pensado por pais, mães, tios, tias, "dindas", padrinhos, irmãos mais velhos, amigos de crianças, gente que convive com criança e que se preocupam com o rumo que atualmente as questões ligadas à infância vem tomando.

Nosso percurso começou no I Fórum Social Mundial (FSM): eu, Valéria Viana, fui voluntária no Comitê Gaúcho no I FSM. Provavelmente se vocês têm alguma camiseta ou lembrança do I FSM, ou fui eu quem vendi ou foram uma das minhas companheiras. Enquanto eu trabalhava no FSM meus filhos ficaram na casa da avó, na frente da TV e do videogame, comendo bigmac.

Enquanto eu vendia camisetas, a Talitha Comaru passeava com sua filha de 7 anos pelo FSM. A menina ficou encantada e desiludida: nada ali havia sido pensado para ela.

Os outros participantes de nossa rede? Alguns eram oficineiros no I FSM, outros estavam viajando, uns participaram, outros não. Nossa trajetória de luta e mobilização em breve nos uniria...

Eu e a Talitha nos encontramos em uma das muitas reuniões no Comitê Gaúcho (CG) do FSM. Lá, por acaso eu fiquei sabendo que ela achava que se podia pensar em um espaço para as crianças dentro do FSM. Começamos a pensar e problematizar esse espaço. Fizemos um projeto inicial, e entramos em contato com a coordenação do CG que disse que quem decidia era a coordenação nacional. Fomos até eles e nos disseram que "boa idéia, parabéns, mas não será possível". Nossa opção era desistir ou ir por conta própria. Isso foi em setembro de 2001. Embora a gente não tenha tido o apoio da coordenação do FSM, nesse primeiro momento, o Comitê Gaúcho sempre esteve conosco, nos disponibilizou espaço para vendermos nossas camisetas e a Lúcia Simões sempre esteve lutando conosco e, em outras instâncias, pelo FORUMzinho.

Como vimos que o caminho institucional não tinha nenhuma abertura para nossa iniciativa, decidimos o caminho inverso: vamos nos organizar primeiro e depois eles teriam que nos aceitar. Convidei alguns amigos: uma professora contadora de histórias - Sílvia Gonçalves -, um professor de teatro - Vladirmir Carmo, um cartunista - Leandro Bierhalls -, um publicitário - Vladimir Azeredo -, um geógrafo - Mário Gonçalves-... já tínhamos uma oficina de teatro, uma de cartuns, uma hora do conto, um oficina de educação ambiental.

Eu e o meu amigo Vladi pensamos no visual do FORUMzinho: o mundo como um balão verde - que remete ao lúdico, ao onírico e à fragilidade do nosso planeta. Um mundo às avessas, provocando a se pensar que o "desenho oficial" do mundo é uma convenção imposta por questões políticas - de poder, de dominação, de impor uma submissão: os países de Terceiro Mundo (nós!) ficamos "embaixo", enquanto EUA e Europa estão "em cima". A idéia é: se mudarmos o ponto de vista, a referência, outro mundo é possível! Esse é nosso convite às crianças - e à sociedade em geral. Esse é o desafio.

As duas crianças - azuis - vestidas com o "uniforme" básico: short e camiseta, um vestidinho. Nossa opção pela simplicidade do traço, é coerente com nossa linha de ação: pensamos em criança, não em criança negra, criança branca, criança indígena ou qualquer questão étnica - que mais segrega que une a diversidade. Também não trabalhamos com o conceito de criança carente, pois o achamos preconceituoso, uma reprodução da visão dominante: se há pobreza, há necessariamente carência de amor, cuidados, escola, saúde. Nesse sentido ser pobre - uma questão social a ser resolvida por TODA a SOCIEDADE - passa a ser um problema local que compromete toda a qualidade de vida e apaga toda a mobilização social que possa existir na comunidade para transcender as dificuldades. O conceito de carência - que remete necessariamente para a pobreza - apaga também as necessidades - culturais, educacionais, emocionais, entre outras - que existem nos diversos extratos sociais. Nem toda criança pobre é carente e crianças, as quais os pais têm condições materiais, muitas vezes são carentes, no sentido pleno do termo. Trabalhamos, pois, com crianças.

O Vladi fez a nossa campanha: banners, anúncios, cartazes, folders, camisetas, bonés, home page. Nos deu nossa "cara" e seu trabalho lindo, feito totalmente voluntário, agora é conhecido em todo mundo.

A partir daí começamos a pensar em estratégias de tornar nossa proposta conhecida por outras pessoas que poderiam nos ajudar a pensar e construir o evento. Não podíamos acreditar que dentro de um governo que ajudamos a construir - um governo de esquerda construindo em cima de propostas de reconstrução de uma política educacional e cultural que contemple a todas as camadas sociais - não houvesse interesse de promover um evento com o nosso perfil. A vida nos surpreende.

Como não conhecíamos ninguém dentro do governo - somos apenas professores, lembram? - entramos no site do Governo do Estado e da Prefeitura Municipal e mandamos cerca de 900 e-mails com o projeto anexado e um convite. Responderam: no Governo do Estado - Secretaria do Meio Ambiente/FEPAM - e o secretário Cláudio Langone seria nosso maior parceiro. Nos chamaram imediatamente para uma reunião e nos disponibilizaram o Circo Ambiental e seis oficineiros. A Tanira - da Educação Ambiental - e a Anelise - coordenadora de eventos - começaram junto conosco uma batalha dentro do Governo para que o FORUMzinho fosse assumido como uma necessidade.

Na Prefeitura recebemos a adesão da Educação Ambiental do Departamento de Águas e Esgotos (DMAE) e da Secretaria do Meio Ambiente (SMAM). A Secretaria de Cultura num primeiro momento aderiu e depois, por questões políticas, retirou seu apoio. Conseguimos através da SMAM uma reunião com o coordenador político do Gabinete do Prefeito. Aparentemente ele ficou entusiasmo com nosso projeto, nos parabenizou e disse que "com certeza" o nosso projeto tinha a adesão da Prefeitura. Me pediu a relação das nossas necessidades e nunca mais atendeu quando telefonamos e nunca respondeu a nenhum e-mail.

Baixei na Internet uma relação de ONGs e instituições que trabalhassem com a infância e com educação ambiental. Mandei cerca de 2000 e-mails com o projeto e convite. Fiz o mesmo com as faculdades, procurando por projetos de extensão relacionados à infância. Uns 600 e-mails. No site do FSM já tinha uma relação com as oficinas oferecidas e junto com o resumo da oficina tinha o contato. Pensei, se vem para o FSM, podem dar uma passadinha no FORUMzinho. Num fim de semana mandei 3000 e-mails...

Aí começamos a ter resultados positivos: na SMAM conhecemos quatro pessoas fundamentais para o projeto: a Arlete Fante e a Patrícia Dorneles que aderiram ao nosso grupo, o Neves que fez nosso site nas suas horas de folga, e o próprio secretário do meio ambiente, o Gérson Almeida, que se interessou pelo nosso trabalho e nos deu nossos primeiros banner, doou tinta para nossa impressora e uma cota de xerox, além de conseguir entrevistas com as pessoas que pensam a infância na prefeitura. Assim, conseguimos a adesão da secretaria de educação (SMED) - e todo um grupo de monitores e voluntários e muitas crianças -, da secretaria dos esportes (SME), da secretaria dos direitos humanos e cidadania e o retorno triunfante da secretaria de cultura...

Conseguimos, também, junto à Portoweb e PROCEMPA, computadores que nos permitiram organizar um espaço chamado Cyberespaço Portoweb de onde as crianças tiveram acesso à internet e foram propostos jogos e atividades. Este lugar foi parada obrigatória para toda a meninada que passou pelo FORUMzinho.

Tivemos, ainda, a ajuda de um grupo de tradutores voluntários, o SolidariTrad, cujo contato foi a Marie-Pierre Mazéas que traduziu nosso site para o francês. No inglês contamos com a ajuda do Peter Lenny e da Sílvia Gonçalves. Sem a ajuda desses amigos tradutores, muitos contatos não teriam sido realizados.

Nesse meio tempo, a Talitha foi embora para São Paulo, conhecemos nossa nutricionista - Luciane Scavone - que conseguiu os lanches que oferecemos no FORUMzinho e as atendentes voluntárias. Ela nos apresentou a duas arquitetas - Cátia Ceccarelli e Daniele Caron - que pensaram a parte estrutural e nossa organização dentro do espaço que conseguimos da coordenação do FSM.

As adesões começaram a chegar e nos vimos trocando cerca de 500 e-mails por dia. Tivemos um problema ao inverso: muitos queriam participar do FORUMzinho. Como selecionar? Quais os critérios? Começamos uma troca de e-mails que foi, aos poucos, traçando o perfil do nosso trabalho: como víamos as questões da infância, como entendíamos educação ambiental, arte-educação, a leitura (de mundo, de palavras, de coisas...), as possibilidade de um processo educativo que está para além do espaço escolar.

Nossa postura enquanto educadores é, além de criarmos um espaço de intervenção artística e educativa, criarmos laços entre a comunidade e os oficineiros que as atendem. Nos propomos a uma política da amizade. Essa é a nossa luta. Nosso comprometimento é com a educação, mas a transcende quando entendemos a aprendizagem enquanto um processo e não como produto e, enquanto processo, envolve questões que passam pela vida cotidiana do aluno e do professor às questões formais de ensino. Além disso, para nós, a educação começa na família, se especializa no espaço escolar e deve contribuir para promover ações na comunidade. Educação é transcendência, é constituição de visão de mundo emancipatória. Nossas oficinas, de algum modo refletiram essa luta pela vida, pela dignidade, pela ética e justiça nas relações. Os oficineiros refletem nossa postura, são representativos do trabalho que estamos construindo em nossa trajetória individual.

Enquanto varávamos as noites em busca de apoio e adesão, lutávamos de dia pelo apoio do Governo do Estado pois, embora fizéssemos todo um movimento que reuniu pessoas, não somos uma instituição, não temos dinheiro, não tínhamos como fazer acontecer - com qualidade, com dignidade - um evento desse tamanho. Da prefeitura conseguimos o apoio de secretarias onde existiam pessoas que em sua trajetória pessoal também lutavam pelas mesmas coisas que a gente. Sabíamos que não conseguiríamos chegar ao prefeito pois o senhor coordenador político barrava nossas iniciativas porque ele é somente um político e suas ações são orientadas para a obtenção de poder e prestígio pessoal e ele não entende nada de movimentos sociais. Nos consolamos e seguimos em frente.

Tivemos então um encontro com o coordenador político do governo do Estado e, para nossa grata surpresa, ele foi franco conosco: nos mostrou que o orçamento do estado já estava todo comprometido - nada de dinheiro - mas ele faria um levantamento das possibilidades de ajuda com o que já havia no Estado. Me disse que ligaria e ligou: conseguimos através desse contato a adesão da secretaria de educação e da cultura. Mais que oficinas, conseguimos o reconhecimento que nosso projeto era uma necessidade, era uma lacuna existente no FSM. Conseguimos também - na segunda quinzena de janeiro - o banner gigante, cartazes, folders, camisetas, sacolinhas, os crachás, material de oficineiros e o som.

Recebemos dois lindos presentes: a Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul acreditou em nosso trabalho e doou os bonés que a criançada do FORUMzinho ganhou de presente e uma linda amiga, a Carlota, fez vir da França os balões maravilhosos que fizeram a festa no céu da Redenção.

Do FSM conseguimos o espaço: o Colégio Estadual Júlio de Castilhos - o tradicional Julinho - e um espaço no site para divulgar o FORUMzinho.

Não cobramos inscrições nem dos oficineiros ou das crianças-participantes. Ao contrário: pagamos o material utilizado por todos os oficineiros que não tinham vínculo institucional. Para conseguirmos esse dinheiro eu mandei fazer em nosso nome 2000 camisetas para vendermos: com a venda pagamos o material dos oficineiros, o custo da própria camiseta, uma parte do lanche, material de escritório - cartucho de impressora, papel, xerox, etc. - o material que usamos para decorarmos o Julinho - tinta, spray, tecido, papel, cola, tesoura, corda, etc. Tudo em grande escala. Conseguimos também pagar uma parte da revelação das fotografias, embora ainda tenhamos cerca de 10 filmes de 36 poses sem revelar. No total, ficamos com um "prejuízo" de cerca de R$ 1.000,00. Nada mal, considerando que tivemos mais de 2500 crianças atendidas em 5 dias de evento, 800 oficineiros e voluntários - monitores e atendentes.

Não computamos perdas e ganhos: tudo foi ganho. Só obtivemos resultados positivos. Se nosso investimento em telefone, Internet, computador, impressão, ônibus e tempo de trabalho, jamais será remunerado, ganhamos em experiência - jamais acreditaremos ingenuamente em apoios incondicionais de políticos de carreira; sabemos, agora, que organizados podemos sim fazer diferença e interferir na política pública estabelecida.

A organização popular não-institucionalizada é subestimada e desconsiderada mesmo pelos grupos que deveriam, teoricamente, lutar pela sua visibilidade: o trabalho de base, feito pela comunidade na própria comunidade, se não tiver vínculo institucional, é completamente "apagado", inexiste.

Hoje, existem muitas pessoas - das mais diversas áreas - que têm interesse em participar de trabalho voluntário, e a força do voluntariado não pode mais ser negada, no próprio FSM e no FORUMzinho. Pensar um evento em nível mundial - com participação de pessoas de todo o mundo - foi feito "apenas" com trabalho voluntário. Pensar em um evento desse tamanho e amplitude se gastando, no máximo cerca de R$ 20.000,00, é pensar obrigatoriamente que a força da mobilização popular é ignorada pela própria comunidade, pelo governo, e, principalmente, pelos grupos que historicamente vêm lutando para que essa força surja. É pensar também que esse desconhecimento faz com muita verba seja desperdiçada em esforços e campanhas de mobilização e o investimento que poderia ser feito para "deslanchar" o trabalho necessário na comunidade - e falamos comunidade num sentido amplo, de interferência na cidade, no estado, no país e no mundo.

O evento em si foi uma surpresa. Nós mesmos não tínhamos consciência de nossa força e de nossa abrangência. Os oficineiros saíram da virtualidade e chegaram, de "mala e cuia", no FORUMzinho, com sua força, sua vitalidade, procurando seu espaço, limpando sua sala, indo à luta. As crianças foram surgindo, Deus sabe de onde, pois não tínhamos verba alguma para publicidade e nossos cartazes de divulgação ficaram prontos exatamente no dia 31 de janeiro. Mas elas vieram, aos montes, com seus pais, suas escolas e instituições e foram se apropriando do FORUMzinho e nos ensinando o que iria ou não funcionar no evento: oficinas no 3º andar? Desceram e foram para o térreo, para o pátio. Público permanente? Nem sempre, as crianças iam e vinham de oficinas, ávidas por verem e participar de tudo. O pátio sempre cheio, com shows de palhaços, de artistas que vieram todos os dias, gratuitamente, emprestar seus talentos: tivemos o "Circo de uma mala só", o "Grande espetáculo Firuliche", os artistas do grupos "D' pernas pro ar" em suas pernas de pau, grupo de pagodeiros da Vila Planetário, músicas do Dimitri, show com um Balé Afro, teatro de bonecos, marionetes, teatro, o Circo Ambiental, o Brincalhão, o Reciclo Brothers...uma festa para os olhos e para os corações de todos - adultos e crianças - que se encantaram com o trabalho prenhe de esperanças que foi feito no palco do FORUMzinho.

Todos os dias, depois que a festa acabava, fazíamos uma reunião de avaliação para decidirmos os rumos do dia seguinte: o que erramos, quais os acertos? E muitas vezes discutimos, nos criticamos durante, ficamos de mal, fizemos as pazes, nos refizemos totalmente, porque queríamos acertar, fazer melhor.. Sim, cometemos erros, ficamos confusos com tanta gente que dependiam de nossas decisões, não conseguíamos atender a todos, com alguns fomos desatentos. Mas aprendemos, crescemos como profissionais e seres humanos e sabemos agora que é possível fazer.

Acreditamos nesse encontro de pessoas que estavam, na verdade, esperando a oportunidade de fazer algo que estava para além do seu trabalho diário, que estava para além das suas rotineiras ações de colaboração para a construção de um outro mundo possível. O FORUMzinho foi um encontro criativo que promoveu a capacidade de mudança e a coragem de criar. Neste sentido, o FORUMzinho era uma necessidade das pessoas que se envolveram com ele de acreditar que era ainda possível apesar de toda a corrida diária, de se fazer mais uma coisa, mais um movimento, mais uma ação que mobilizasse as pessoas, que criasse um espaço legal e divertido para as crianças, um espaço educativo que as colocassem como protagonistas de um evento grande da cidade. Foi assim, e não de outra forma, que aos poucos, quando a proposta do FORUMzinho foi em busca de apoio, batendo em porta em porta, que as pessoas foram se juntando e abraçando a idéia.

Na verdade, o FORUMzinho foi um grande abraço, um abraço que serviu para alimentar a nossa coragem criativa, que serviu para alimentar a nossa utopia, para alimentar a nossa fé e o nosso compromisso com um mundo melhor. Quase sem recursos, o FORUMzinho foi se construindo com todas as dificuldades que encaramos no terceiro mundo de investir em projetos sócioculturais. Não éramos uma ONG, não éramos governo, fomos um grupo de pessoas que aos poucos ia se formando e se fortalecendo com a fé de cada um. Elaborado em três meses antes do Fórum Social Mundial, cada vez em que passava pela cabeça de um que tínhamos pouco tempo, o outro lembrava que dava para continuar porque mais alguém estava interessado em ajudar. Uma entrevista aqui, uma promessa de apoio ali, um xerox de graça, uma tinta doada para o computador e uma casa com um computador à disposição. O FORUMzinho foi feito pelo coração! Muitas brigas aconteceram, muitos noites não dormidas, muito promessas de apoio não compridas, mas quem ficou no FORUMzinho foram as pessoas que acreditaram que a ética da solidariedade tem que ser fortalecida. Fomos um sucesso total.

Nossa luta está começando. Começamos bem, é verdade. Mas a mobilização que produzimos não pode se perder por um motivo tão triste como a falta de dinheiro. Somos uma referência: os educadores e oficineiros querem trabalhar conosco, os pais nos procuram, as crianças nos reconhecem na rua, escrevem para nossa casa, esperam algo da gente: que continuemos lutando por elas. E não estamos sozinhos, somos muitos. Entendam: o FORUMzinho não é constituído apenas das pessoas do Núcleo ou dos oficineiros que participaram do evento. Somos também o produto de um processo educacional que vem se desenvolvendo à margem, em silêncio. Silenciado. Não foi o acaso que reuniu tanta gente em torno de uma mesma idéia, a tendência é esse grupo de pessoas se tornar maior, porque os educadores atuais estão vendo a necessidade de maior envolvimento entre eles e as comunidades onde atuam. E naturalizar o encontro, a formação de redes de trabalho, redes de troca, redes de afetos.

Estamos nos organizando, fazendo uma avaliação entre a gente, oficineiros e comunidade. Queremos levar o FORUMzinho a outros lugares, compartilhar nossa experiência, organizar uma memória, ajudar a realização de outros eventos pelo mundo. Temos que refazer nossa home page, levar adiante nossos projetos, formar e fortalecer novas redes porque é isso que sabemos fazer. Somos educadores e sim, nós vamos mudar o mundo!

Um grande abraço, fiquem em PAZ.

Beijos Valéria Viana,

Núcleo Pró-FORUMzinho Social Mundial: Mário Gonçalves, Patrícia Dorneles, Sílvia Gonçalves, Renata Lanfermann, Cátia Ceccarelli, Daniele Caron, Vladimir Azeredo, Luciane Scavone, Olga Abeis, Ângela Cristina Martins.